Vamos falar sobre bem-estar profissional após 6 meses de pandemia?

Carreira

Vamos falar sobre bem-estar profissional após 6 meses de pandemia?

João Jovanaci
Escrito por João Jovanaci em outubro 22, 2020
4 min de leitura

Não dá para negar que a pandemia pegou todo mundo de surpresa, né?  Não só pelo fato do rápido contágio e das mudanças repentinas que se fizeram necessárias, mas também pela sua duração que talvez muito de nós nem sequer imaginávamos que seria tão longa. O que parecia exigir algumas semanas de isolamento se tornou um verdadeiro período de inseguranças e incertezas.

Uma pandemia por si só já é motivo de preocupação, principalmente considerando que grande parte da população enfrenta um evento desse nível pela primeira vez. A última grande pandemia ocorreu em 2009, foi o H1N1, que apesar de se espalhar rapidamente e matar mais de 16 mil pessoas em todo o mundo, não atingiu os níveis causados pelo coronavírus, tanto em contágio como em letalidade.

Mas o que eu quero dizer com isso? Que esse momento em que estamos vivendo é novidade no século XXI, e que muitas pessoas, organizações e até mesmo governos ficaram sem saber como reagir, e, mesmo com tantos cuidados, isso inevitavelmente afetou a vida da população como um todo.

E dentre as mudanças, que afetaram todo o globo, além dos pessoais, observamos também o cenário que envolve o setor corporativo, o que nos leva ao conteúdo de hoje.

Como será que os trabalhadores estão lidando com a questão profissional e ao mesmo tempo enfrentando as mudanças causadas pela pandemia após 6 meses? Continue a leitura e vamos ver 😊

O ISOLAMENTO SOCIAL MUDOU A FORMA DE TRABALHO PARA SEMPRE

Como base do nosso conteúdo, teremos o Índice das Tendências de Trabalho, um estudo da Microsoft que examinou como a pandemia afetou o bem-estar no trabalho no mundo inteiro. Nele constam observações de como os padrões de produtividade no Microsoft Teams se modificaram desde o início deste ano e análise de mais de 6.000 trabalhadores de linha de frente e do setor de informação em oito países: Austrália, Brasil, Alemanha, Japão, Índia, Singapura, Reino Unido e Estados Unidos.

PRINCIPAIS CONSEQUÊNCIAS DA PANDEMIA NA VIDA DAS PESSOAS

Se em algum momento dessa pandemia você já sofreu com algum tipo de esgotamento, saiba que é uma situação que atinge boa parte dos profissionais. Apesar de estarmos todos na mesma situação, é diferente a forma como cada país e cada pessoa lida com o momento. No Brasil, 44% das pessoas estão se sentindo mais exaustas em comparação com 31% nos Estados Unidos e 10% na Alemanha.

E mais algumas características desse período ficaram evidentes no estudo, olha só:

  • A pandemia aumentou o esgotamento profissional, em alguns países mais do que em outros
  • As causas do estresse relacionado ao trabalho são diferentes para os trabalhadores remotos e os trabalhadores de linha de frente
  • Depois de seis meses, as comunicações aumentaram e os limites diminuíram
  • Não ter que sair de casa para ir ao trabalho pode estar prejudicando, e não melhorando, a produtividade dos trabalhadores remotos
  • As pesquisas revelam como a meditação pode ajudar a lidar com a exaustão e o estresse durante o dia de trabalho

CAUSAS DO ESTRESSE RELACIONADOS AO TRABALHO

A pesquisa também pediu para que os trabalhadores classificassem os principais fatores responsáveis pelo estresse relacionado ao trabalho. E olha só o que considerou a maioria:

  • Preocupação em contrair COVID-19
  • Falta de separação entre o trabalho e a vida pessoal
  • Sensação de desconexão dos colegas
  • Horas de trabalho ou uma carga de trabalho difíceis de administrar

E dentro desse panorama é possível trabalhar com dois cenários diferentes:

  1. Trabalhadores que não puderam trabalhar em home office relataram como fator mais estressante a preocupação em contrair o vírus.  30% dos trabalhadores não receberam de sua empresa os equipamentos tecnológicos ou de proteção necessários para que pudessem manter o distanciamento social.
  2. Os trabalhadores que migraram para o modelo remoto tiveram como principais causa de estresse a falta de separação entre vida pessoal e trabalho.

MAIS COMUNICAÇÃOS E HORAS TRABALHADAS E MENOS LIMITES

Outro fator curioso na relação de trabalho das pessoas que migraram para o modelo remoto está no fato de que mesmo depois de mais de seis meses as pessoas estão participando de mais reuniões, atendendo a mais chamadas não programadas, e tendo que lidar com mais mensagens do que antes da pandemia.

O relatório aponta que conversas após o horário comercial, ou entre 17 horas e meia-noite, também aumentaram. O mais interessante é notar que a quantidade de usuários do Teams enviando essas mensagens depois do horário comercial mais do que dobrou. Ou seja, existe todo um grupo de pessoas que nunca tocavam no teclado depois das 17 horas, antes da pandemia, e que agora fazem isso.

bem-estar profissional
  • Mais comunicação: 48% de aumento geral do uso de chats do Teams por pessoa
  • 55% de aumento no número de reuniões e chamadas por semana
  • Menos limites: 2x a quantidade de usuários do Teams enviando mensagens depois do horário de trabalho
  • 69% mais chats no Teams por pessoa depois do horário de trabalho

Como você pode perceber, há menos escritório e mais home office, mas quebrando o paradigma que o trabalho remoto dá mais liberdade. Nos casos acima, o volume de trabalho aumentou para boa parte dos usuários analisados pela gigante da tecnologia.

BEM-ESTAR PROFISSIONAL: O REFLEXO DO HOME OFFICE NA SAÚDE FÍSICA E MENTAL

Saindo um pouquinho do estudo da Microsoft, vamos dar uma olhadinha também na pesquisa feita pelo Centro de Estudos em Planejamento e Gestão de Saúde da FGV EAESP (FGV Saúde), em parceria com o Institute of Employment Studies (IES) do Reino Unido, para avaliar os impactos do trabalho remoto na saúde e bem-estar dos brasileiros durante a pandemia.

O estudo foi feito com 653 trabalhadores entre os meses de junho a agosto e as respostas ajudaram a identificar os principais sintomas e queixas dos trabalhadores que migraram para o home office. Nessa, que foi a segunda versão do estudo, os pesquisadores identificaram que as principais queixas são:

  • Preocupação com questões financeiras
  • Ansiedade com a saúde de um membro da família
  • Sensação de isolamento e solidão

Enquanto o primeiro relatório foi mais específico nas questões físicas, indicando os problemas relatados pelos participantes:

  • Dores nas costas
  • Dores no pescoço
  • Fadiga ocular
  • Perda de sono
  • Dores de cabeça

Inclusive, esse mesmo relatório aponta que apenas 15,9% dos trabalhadores receberam suporte das empresas para trabalhar em casa.

Viu só? Mesmo no conforto do lar, parece que o home office traz sim desafios e dificuldades para a maioria dos trabalhadores. Talvez porque esse formato forçou muitos empregadores a orientar o home office mesmo sem uma estrutura adequada para o desempenho da função.

A propósito, a gente já falou aqui no blog sobre a síndrome de Burnout e quais skills são necessárias para evitar o esgotamento profissional.

Também falamos sobre a importância da inteligência emocional para o mercado de trabalho! Acreditamos que esses dois conteúdos possam te ajudar na sua jornada e bem-estar enquanto a pandemia durar e o trabalho remoto também.

Até a próxima 😉

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