Shadow Education: cobrindo os gaps do ensino tradicional

Futuro

Shadow Education: cobrindo os gaps do ensino tradicional

Karin Braun
Escrito por Karin Braun em agosto 22, 2019

Conheça o setor da educação que cresce à medida que o ensino tradicional é desafiado a acompanhar as mudanças do mercado

Shadow Education?

Primeiro vamos tirar esse conceito das sombras.

Sabe aquelas aulas de reforço que seus pais contrataram para dar uma força na escola?

Ou o curso Kumon que você fez? Ou então o cursinho pré-vestibular?

Todas essas atividades fazem parte do setor de Shadow Education, termo apresentado pela primeira vez à comunidade científica em 1992 por David Stevenson e David Baker no American Journal of Sociology.

O termo foi criado para se referir à conexão entre o ensino fundamental, médio e superior com as atividades de aprendizado fora da escola.

Alguns anos mais tarde, o pesquisador Mark Bray produziu para a UNESCO um guia sobre Shadow Education com orientações para a criação de políticas públicas na área da educação.

Para deixar todo mundo falando da mesma coisa, Bray limitou a aplicação do conceito, dizendo que para ser considerada em Shadow Education a atividade de ensino precisaria:

1 – Cobrir as mesmas matérias ensinadas na escola ou na universidade. Por exemplo, um cursinho de inglês no Brasil entraria em Shadow Education, mas não aulas de mandarim, porque o inglês já é ensinado nas escolas.

2 – Fazer parte da iniciativa privada, com a finalidade de obtenção de lucro. Não entram em Shadow Education os cursos solidários, as Escolas de Jovens e Adultos (EJA) e atividades extracurriculares realizados por voluntários e por organizações não governamentais.

3 – Ter um foco acadêmico, sobretudo em línguas, ciências exatas e assuntos “examináveis”. Estão fora desse setor as atividades para ensino de esportes, música, artes e aquelas atividades que fazemos por prazer ou para desenvolvimento pessoal.

Shadow Education: ameaça ou oportunidade para ensino tradicional?

O crescimento do setor de Shadow Education nas últimas décadas tem preocupado pesquisadores da educação devido ao possível aumento na desigualdade social.

Como as atividades desse setor são pagas, ficam restritas às famílias com boas condições financeiras, excluindo o acesso das famílias de baixa renda. Há pesquisas confirmando a relação entre o sucesso acadêmico dos alunos e suas atividades em aulas particulares e cursos privados, resultando em maior sucesso profissional e status social.

Esse crescimento é, porém, sintoma da inadequação do ensino tradicional às necessidades dos estudantes.

Portanto, as escolas e instituições de ensino superior devem entender esse cenário não como uma ameaça mas sim como um pedido para atualizar seus modelos e entregar aos estudantes – jovens e adultos – o conhecimento de que realmente precisam para ter sucesso na vida. 

Melhorar a qualidade da educação é um desafio até mesmo para o Shadow Education, que busca oferecer soluções cada vez mais acessíveis ao público.

A PUC do Paraná respondeu a essas mudanças criando um modelo de educação continuada inovador e mais conectado com a realidade de mercado.

Franquias de educação no Shadow Education brasileiro

No Brasil o setor de Shadow Education começou com os cursos pré-vestibulares e escolas de inglês e espanhol.

Por serem privadas e livre de burocracias governamentais, as atividades desse setor conseguem responder com mais agilidade às necessidades dos estudantes, criando uma grande diversidade de cursos e modelos, sobretudo para os adultos que já estão no mercado de trabalho.

Muitas empresas de educação suplementar se organizam em franquias, que em 2018 faturaram juntas mais de 11 bilhões de reais. A franquia Kumon é a maior delas e já tem mais de 1.500 unidades em 300 cidades brasileiras, com aulas de português, matemática, inglês e japonês. Em segundo lugar temos a Wizard (1.200 franquias) e a Fisk (806 franquias).

Na área da tecnologia já são comuns os Bootcamps e escolas de programação, assunto que é ensinado nas universidades dentro dos cursos de TI. Nas áreas da saúde, jurídica e educacional existem empresas focadas em cursos específicos que auxiliam no sucesso profissional.

Esses cursos atraem não só os profissionais que querem se especializar como também os adultos que adotaram o lifelong learning como estilo de vida, e querem perseguir um novo interesse pessoal ou profissional.

Instituições precisam se preparar para as profissões do futuro

A consultoria Gartner identificou para os próximos anos uma tendência de crescimento significativo de programas que oferecem credenciais para a população adulta, bem como o crescimento do setor de Shadow Education e da educação corporativa, aquela oferecida dentro das empresas direto para os funcionários.

As instituições de ensino superior precisam correr para não ficar para trás em relação às novas necessidades da força de trabalho, que se transformou com os avanços na tecnologia e nos negócios globais.

A saída para elas está na melhoria da produtividade institucional, investir na experiência do aluno, criar novos produtos e serviços e abrir novos modelos de negócio.

Investir em startups dentro da própria universidade pode ser um caminho interessante, onde novos modelos e experiências podem ser testados e validados por quem mais importa: os próprios estudantes.

Referências

O’Donoghue, T. (2018). Shadow education. Understanding Contemporary Education, (October), 236–241.

https://doi.org/10.4324/9781315559070-36

http://unesdoc.unesco.org/images/0018/001802/180205e.pdf

https://www.abf.com.br/numeros-do-franchising/

https://www.portaldofranchising.com.br/franquias/maiores-franquias-de-educacao/

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